Dicas de quem já viajou para Dublin - Irlanda

Jornalista faz "Walking Tour" em Dublin na Irlanda

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A capital irlandesa é facinha, facinha de conhecer caminhando, entre um gole e outro de Guinness e cortejos de música ao vivo.

Dublin ganhou um lugar especial no meu coração, pois foi lá que meu namorado, o Chris, morou por um ano, enquanto eu estudava em Paris. Os voos baratíssimos da Ryanair entre as duas capitais nos ajudaram a reduzir a saudade e a distância. É fácil gostar da capital irlandesa. Tanto que todo ano muitos brasileiros a escolhem para viver uma experiência de estudo e trabalho no exterior. Como a Irlanda foi um dos países mais afetados pela crise na Europa, também se tornou um dos destinos mais baratos para turistas e estudantes. A oferta de escolas e cursos de inglês é grande e bastante em conta em comparação com outros países. Mas, se você for a Dublin só de passagem, saiba que ela merece pelo menos três dias. É um bom tempo para pelo menos tentar entender o sotaque carregado dos irlandeses – praticar nos pubs é ótimo, depois de algumas pintes ele fica bem mais compreensível.

Quando se fala na capital, aliás, a cerveja ganha disparado na disputa dos mais lembrados. Merecidíssimo. É inevitável passar todos os dias pelo Temple Bar, o bairro boêmio, coração da cidade, onde tudo acontece. O duro é fugir da tentação de só ficar pulando de pub em pub… Bem, afinal beber é uma das características mais marcantes da cultura irlandesa. Mas também é bom aproveitar os museus (muitos de graça), parques, lojas, festas e ruas históricas. Tem muita coisa!

Dublin - Irlanda

Dublin – Irlanda

ANDANDO PELA CIDADE DE DUBLIN

Caminhar por Dublin é facinho, por conta do rio Liffey, que a corta com suas pontes de diferentes estilos. O Temple Bar fica perto dele. Foi ao redor dessa região que a capital nasceu e cresceu. No século 9, ela era dominada pelos vikings, uma história preservada até hoje pela arquitetura dos prédios e ruas estreitas de pedra. É a chamada Cidade Medieval, onde eu adorava passear deixando a imaginação fluir. Por ali, o Smock Alley é um dos teatros mais antigos da Europa, e o Neal’s Musick Hall ficou marcado na história, quando em 1742 a famosa música Hallelujah, do Handel’s Messiah, foi cantada pela primeira vez.

A apresentação, inclusive, foi feita pelo coral da Christ Church Cathedral, que existe até hoje e é considerado um dos melhores da Irlanda. Eles se apresentam quatro vezes por semana, então é legal conferir os horários na catedral. A igreja é um símbolo local, que está ali desde 1028, com um belo interior, uma cripta medieval e relíquias da época.

Nas redondezas, a St Patrick’s Cathedral homenageia o padroeiro da Irlanda e tem um jardim gostoso para conhecer se o dia estiver bonito (o que é um pouco raro, mas não custa ter fé no São Patrício). A partir dali, chega-se ao Castelo de Dublin, onde apenas a torre principal continua firme e forte desde a época medieval – o restante da fortificação foi destruído após inúmeros ataques durante as batalhas na capital. O local, porém, é o mesmo, e o edifício reconstruído é suntuoso, hoje usado na celebração de posse dos presidentes irlandeses.

Você vai saber rapidinho quando chegar ao Temple Bar: pubs e restaurantes brotam pelo caminho, em prédios de tijolinhos, bem parecidos, mas com particularidades. Eu costumava escolher onde sentar de acordo com o som. Os irlandeses são apaixonados por música. O grande barato de Dublin é que há shows ao vivo de ótima qualidade na maioria nos bares, quase sempre de graça. O Porterhouse é um deles, com um plus na decoração e nas dez cervejas especiais da casa. Aposte nas deliciosas stouts, genuinamente irlandesas, marcadas pelo malte especial (escuro). O cardápio é extenso, com geladas (não tanto assim, já que estamos na Europa) do mundo inteiro.

Os pubs também bombam em dias de jogo. Mas não só da seleção. Outra paixão nacional é o futebol gaélico, uma mistura de futebol de campo, rugby e handball. Uma loucura. O melhor a fazer para entender é sentar num balcão e observar os torcedores, tentando perceber por que eles vibram a cada jogada. A experiência é interessante.

Bem no centro do Temple Bar, fica o pub homônimo, vermelho, enfeitado com bandeirinhas de outros países. É o mais famoso da cidade, desde 1840, e fica lotado dia e noite. Para mim, é uma das atrações turísticas imperdíveis. A área interna é relativamente grande, então não fica aquele empurra-empurra (a não ser que eu tenha tido muita sorte, o que não é raro). E a programação musical é excelente, só a Irish music tradicional, com artistas irlandeses se apresentando a cada hora.

E pelas ruas não é diferente. Volta e meia um grupo de música celta passa, juntando um cortejo atrás das gaitas irlandesas (uilleann, pronuncia-se “élan”). Caminhe atrás dele até enjoar do ritmo e chegar ao mercado de rua. Aos sábados, a região recebe um food market orgânico muito bom, com barracas que vendem de ostras fresquinhas e sucos de maçã a pães, tortas, doces e salgados artesanais. Ele acontece no Meeting House Square, que volta e meia recebe festivais e apresentações artísticas.

A Grafton Street também é musicalmente agitada. Essa é a rua mais chique de Dublin, um centro de compras com lojas de grifes como Chanel, Louis Vuitton e Rolex. Mas como compras assim não são para qualquer bolso, menos ainda para o meu, aproveitava que a via é exclusiva para pedestres e me divertia com os artistas de rua. Eles são inúmeros, espalhados pelas calçadas, buscando alguns trocados ou apenas um momento de fama. Vai que o Bono passa por lá e adota um deles como pupilo…

No final dela, chega-se ao Trinity College, uma universidade fundada em 1592. É daquelas que parecem cenário de filme, sabe? Além de um gramado convidativo que serpenteia pelos edifícios do século 18, ela guarda uma raridade fantástica: sua biblioteca tem um exemplar de cada edição lançada na Grã-Bretanha e na Irlanda desde 1801. Ou seja, mais de 3 milhões de livros e manuscritos. O prédio mais impressionante é o da Old Library, com a exposição permanente do Livro de Kells, um evangelho em latim ricamente ilustrado por monges celtas há mais de mil anos. Magnífico!

No meio da caminhada, as casas com as famosas portas coloridas aparecem vez ou outra, principalmente na Merrion Square. Como as fachadas dos prédios são todas iguais, restava pintar as portas para identificá-las. Sem isso, é fácil se confundir e entrar na errada, ainda mais depois de uma noitada pelos pubs. Atente para a número um, onde o escritor Oscar Wilde morou – esse, aliás, é só um dos filhos mais renomados de Dublin no mundo literário (se você admira clássicos como Beckett e Joyce, aproveite para dar uma passadinha no Writer’s Museum, um casarão voltado à história deles).

Como toda boa universidade, a Trinity transformou a região ao seu redor em um centro cultural e artístico. Ali também ficam os principais museus de Dublin, a National Gallery e o National Museum. Eles não são fantásticos, mas gratuitos e uma boa oportunidade para conhecer melhor a história da Irlanda. Na saída, repare do outro lado da rua, em uma loja de CDs. Infelizmente não anotei o nome dela, mas ali você encontra todos os clássicos (e não-clássicos) da música irlandesa. Um ótimo suvenir.

Pubs em Dublin na Irlanda

Pubs em Dublin na Irlanda

DO OUTRO LADO DE LIFFEY

Atravessando a famosa O’Connel’s Bridge, você chega à O’Connel Street, o principal centro comercial ao ar livre de Dublin. É nessa avenida que fica o Spire, monumento pontudo com mais de 100 metros de altura, que quebra um galho e tanto como ponto de encontro. Ali nas redondezas o assunto é comprar. Agora, sim, cabendo no bolso de qualquer um. Lojas como Dunes, Penneys (pronuncia-se “pênis”, então imagine quanta piadinha boba não rende entre os brasileiros) e H&M têm roupas, sapatos e acessórios a preços de banana. Sem brincadeira, já encontrei boas calças jeans e camisetas por 5 euros. E dá-lhe excesso de peso na bagagem!

Gostava muito de três lugares para comer por ali. O Beshoff Restaurant é supertradicional e, desde 1913, serve o clássico fish & chips (peixe frito com batata frita). Dá água na boca só de lembrar… Umas calorias extras que eu nunca consigo evitar – apesar de que aqui todas as frituras são feitas em óleo vegetal, o que diminui um pouco o colesterol. Eles têm vários tipos de peixe, mas também frango e outras delícias, como porções de onion rings (cebola frita). Salada é para os fracos. No café da manhã, passe por lá para experimentar o típico full Irish breakfast, que, como tudo o que eu falei até agora, não tem nada de leve. Eles não economizam no bacon, nos ovos e na salsicha.

Experimente o chocolate quente com marshmallow da The Sweetest Thing, um hot chocolate bar com bons preços (e, sim, uma homenagem à música do U2). Como o nome já indica, aqui o sucesso são os chocolates, que aparecem em bombons, barras, bolos, bebidas quentes e geladas, milkshakes e sorvetes. O cardápio tem várias criações próprias e opções como Nutella, Oreo e Kinder Bueno para misturar e dar um plus ao seu pedido. Ai, ai…

Por fim, a The Winding Stair é um bom lugar para fugir um pouco dos pubs e tomar vinhos, cidras ou cervejas artesanais, fabricadas por cervejarias locais e bem combinadas com os pratos da casa. Com vista para o rio Liffey, essa livraria era famosa entre artistas e escritores nos anos 1960 e 1970. Agora, além de livros novos e de segunda mão, tem um restaurante no andar de cima, com comida caseira irlandesa preparada com produtos artesanais fresquinhos, vindos de produtores de Dublin. O bistrô ganhou um certificado de excelência no TripAdvisor em 2013.

Dublin Spire

Dublin Spire

FALANDO EM BEBER…

A Guinness detém nada mais, nada menos do que 80% da venda de cerveja preta no mundo. Nada mal, né? Na Guinness Store House eles falam tudo sobre a história e os processos de fabricação da bebida mais querida da Irlanda, criada em 1759. O museu é quase um templo, para prová-la e levar muitas para casa. E tudo fica ainda melhor no sétimo e último andar do prédio, no Gravity Bar. Ninguém quer mais nada além de beber uma pinte e admirar a vista 360 graus de Dublin.

Loucura é sair de lá e ir direto à The Old Jameson Distillery, onde o uísque irlandês Jameson foi produzido durante 200 anos – hoje, a fábrica fica na cidade de Cork. No final do passeio, uma degustação mostra as diferenças entre ele, um escocês e outro norte-americano. Fica ao seu critério escolher o melhor, mas as opiniões são unânimes no quesito leveza. A tripla destilação do Jameson sempre ganha pontos.

Meu namorado morava perto dessa última, bem ao lado do Cobblestone, o pub que eu mais gosto em Dublin. Ele é bem típico e, como fica fora do Temple Bar, não lota muito. Também é um dos preferidos dos locais, fiquei sabendo por lá. Tem boas opções de cerveja e cidra, mas o diferencial fica com grupos de músicos irlandeses, que todos os dias, à tarde e à noite, reúnem-se despretensiosamente para tocar seus instrumentos no pequeno salão, só por diversão.

Cobblestone - Dublin

Cobblestone – Dublin

PARA LÁ DO CENTRO

Geralmente, os passeios fora do centro são os que mais me agradam. Eles guardam um quê de mistério e nunca estão muito cheios. Em Dublin, minha maior surpresa foi com o bairro de Kilmainham, onde fica a prisão Kilmainham Gaol. Se você já assistiu ao filme Em nome do pai vai se sentir dentro do cenário – ele foi gravado lá. Um tour guiado muito explicativo nos leva para conhecer toda a história e o sinistro prédio onde o presídio funcionou até 1924. Um arrepio sobe na espinha enquanto se anda pelas celas e corredores escuros e embolorados, pensando nas condições em que os presos viviam e em todos que foram executados. É imperdível.

Logo em frente, um imenso portão leva ao Irish Museum of Modern Art, que tem ótimas exposições e um acervo muito bom de arte contemporânea. O prédio em si já é uma atração, já que foi instalado no antigo Hospital Real de Dublin. Fundado em1684, com arquitetura inspirada no Les Invalides, de Paris, esse hospital abrigou soldados aposentados durante 250 anos. O clima sinistro continua nesse passeio, já que, para chegar ao museu, é preciso atravessar um longo jardim ladeado por um antigo cemitério. À noite fica ainda mais legal, com a iluminação baixa vinda dos candelabros.

Agora, se as compras na O’Connel e na Grafton não foram suficientes, a uma hora de Dublin fica o Kildare Village, um outlet de luxo com grandes marcas oferecendo até 60% de desconto. E nós, brasileiros, ainda temos um benefício: todos os visitantes de fora da União Europeia podem reaver até 20% do que gastar em compras por lá.

Paraíso semelhante é a Ikea, a loja de design escandinava onde dá vontade de sair com a casa toda montada. Infelizmente é difícil importar uma cama, mesa ou cozinha inteira, mas roupas de cama e banho, além de mil utensílios, são facinhos de achar por preços módicos. Tudo lindo, bom e barato. De novo, em coro: ai, ai…

Jardins de Kilmainham

Jardins de Kilmainham

ÁREA VERDE DE DUBLIN

Normalmente, Dublin é nublada e chuvosa, o que já faz parte de seu charme. Então, quando sai um solzinho, todo mundo corre para aproveitar de algum jeito, de preferência em um parque.

O meu preferido é o Stephen’s Green, bem central. Ele tem vários caminhos arborizados e cheios de flores, um gramadão para se esticar, lago artificial com ponte romântica e jardim especial para deficientes visuais, onde as plantas, aromáticas, são etiquetadas em braile. É um refúgio no meio do burburinho de compras da Grafton Street.

Outro é o Phoenix Park, um pouco distante do centro, mas acessível por transporte público e bikes. Esse é um dos maiores parques urbanos da Europa, com praticamente 30% de sua área coberta por árvores. Também tem um zoológico, uma das boas e únicas opções para crianças (o preço é salgado, 15 euros, mas os pequenos ganham desconto).

A cerca de 40 minutos do centro, de ônibus, outro passeio imperdível é no Botanic Garden. Lindo, com estufas onde mais de 17 mil espécies de plantas são estudadas. Como nos outros dois parques, prepare a máquina fotográfica e os amendoins, para alegrar os esquilos que às vezes dão o ar da graça.

Alley in Belfast Botanic Gardens - Norte da Irlanda

Alley in Belfast Botanic Gardens – Norte da Irlanda

BATE-VOLTA

Veja esses três destinos pertinho de Dublin e bastante acessíveis a partir dela. Eles tornam a viagem mais completa, unindo o ar metropolitano da capital com a tranquilidade de castelos, de praias e do interior.

MALAHIDE CASTLE

Esse castelo, que fica a 30 minutos de Dublin de ônibus ou Dart (trem intermunicipal), pertenceu à família Talbots de 1185 a 1976, quando a última herdeira o vendeu ao Estado. Tem belos cômodos medievais e móveis do século 16, além de um enorme parque, que circunda o edifício e é ótimo para descansar e fazer piqueniques.

BRAY

De Dart, você chega a essa cidadezinha litorânea em 40 minutos. A grande atração é a trilha até o topo do Bray Head, um monte de cerca de 250 metros com uma cruz em cima, de onde se avista a cidade toda. Espere a noite cair para vê-la iluminada. Tente pegar um dos festivais de música que acontecem pela orla, como o Summerfest, de julho a agosto, e o Jazz Festival, em maio.

HOWTH

Esta vila de pescadores a 12 quilômetros da capital foi fundada por um rei viking no início do século 11. Ainda hoje atrai adeptos da pesca, mas principalmente quem quer admirar as focas e aves que vivem por ali. Alguns ricaços irlandeses têm casa na vila (dizem que um deles é o baterista do U2, Larry Mullen). Caminhadas em volta da península garantem lindas vistas e há bons restaurantes de peixes e frutos do mar.

Por: Ana Ferrareze – Seu Próximo Destino

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